terça-feira, 27 de novembro de 2012

No começo

HELSTON, INGLATERRA    SETEMBRO DE 1854




Por volta da meia-noite, seus olhos finalmente tomaram forma. A expressão neles eram felinas, parte determinada, parte hesitante, prontos para causar problemas. Sim, aqueles olhos estavam igualzinhoos. Alcançando as sobrancelhas fonas e elegantes, a centímetros da cascata escura que eram seus cabelos

   Ele estendeu o braço para avaliar seu progresso no papel que segurava. Era difícil trabalhar sem que ela estivesse na sua frente, mas, de qualquer modo, nunca conseguira desenhar na presença dela. desde que chegara a Londres, não, desde que vira pela primeira vez, ele precisara tomar cuidado para mantê-la sempre a distância.

   Agora ela o abordava diariamente, e cada sua era mais difícil que o anterior. Era por isso que ele iria embora na manhã seguinte, para a Índia, para as Américas, não sabia tampouco se importava. Em qualquer lugar que parasse seria mais fácil do que estar aqui.

   Ele inclinou sobre o desenho de novo, suspirando ao usar o polegar para retocar o carvão borrado que delineava o voluptuoso lábio inferior. Esse papel sem vida, cruel impostor, era a única maneira de levá-la consigo.

   Então, se endireitando na cadeira de couro da biblioteca, ele sentiu. Aquela brisa morna em sua nuca.

   Ela

   Sua mera proximidade dava-lha a mais peculiar das sensações, como o calor que emana de uma acha de lenha, queimado até virar um monte de cinzas numa fogueira. Ele sabia sem precisar virar o rosto: ela estava lá. Escondeu o retrato no meio dos papeis amontoados em seu colo, mas não podia escapar dela.

   Os olhos dele recaíram sobre o sofá estofado cor de marfim do outro lado do salão, onde apenas umas horas antes ela aparecia inesperadamente, depois dos outros de seu grupo usando um dos vestidos de seda cor-de-rosa para aplaudir a filha mais velha do anfitrião, que tocara uma bela musica no cravo. Seu olhar cruzou a sala até a janela que dava para a varanda onde no dia anterior ela sugira para ele com um punhado de peônias brancas nas mãos. Ele ainda achava que a atração que sentia por ele era inocente, que seus frequentes encontros na varanda eram meramente...feliz coincidências. Tão ingenua! Ele nunca contaria a verdade, o segredo era um fardo que ele carregaria sozinho.

   Ele se levantou e deu meia-volta, deixando os esboços para trás, sobre a cadeira de couro. E lá estava ela, constada nas cortinas de veludo vermelho, em seu simples vestido branco. O cabelo negro se soltara das tranças, e a expressão de seu rosto era a mesma que ele havia desenhado tantas vezes. Havia um calor subindo sua face. Estaria zangada? Envergonhada? Gostaria de saber, mas não podia se permitir a pergunta.

   - O que está fazendo aqui? - Ele podia ouvir o rosnado em sua própria voz e se arrependeu da grosseria, sabendo que ela nunca entenderia.

   - Eu...Eu não consegui dormir - gaguejou, indo em direção ao fogo e a cadeira dele. - Vi uma luz em seu quarto também - ela parou, baixando os olhos para as mãos - seu baú do lado de fora da porta. Vai a algum lugar?

   - Eu pretendia contar a você - começou ele. Não devia mentir. Mas nunca teve a intenção de deixa-la a par de seus planos. Contar só pioraria as coisas. Já tinha deixado as coisas irem longe demais, com esperança que essa vez fosse diferente.

   Ela se aproximou mais um pouco e seus olhos pousaram sobre o caderno de desenho.

   - Estava me desenhando?

   Seu tom assustado o lembrou de como era grande o abismo entre os dois. Mesmo depois de todo o tempo que tinham passado juntos nas últimas semanas, ela não tinha nem começado a enxergar a verdade que estava por trás da atração entre eles.

   Isso era bom, ou pelo menos, era o melhor para ela. Durante os últimos dias, desde que ele resolvera ir embora, estivera lutando para se afastar dela. O esforço lhe exigiu tanto que, assim que se viu sozinho, teve que ceder ao desejo retratando seu pescoço arqueado, sua clavícula marmórea, o abismo negro de seus cabelos.

   Agora, ele olhava de volta para o esboço, sentindo não vergonha por ter sido surpreendido desenhando-a , mas coisa pior. Um arrepio gelado se espalhou pelo seu corpo quando percebeu que aquela descoberta, a revelação do que sentia, a destruiria. Ele devia ter tomado mais cuidado. Era assim que sempre começava.

   - Leite morno com uma colher de melado. - murmurou ele, ainda te costas. Depois acrescentou com tristeza. - Vai ajuda-la a dormir.

   - Como você sabia? Minha nossa, era exatamente isso que minha mãe costumava...

   - Eu sei - interrompeu, se virando para encara-la. O espanto na voz dela não o surpreendia, mesmo assim não podia explicar como sabia o que saber, ou quantas vezes ele tinha preparado essa bebida no passado, quando as sombras chegavam, ou como a tinha segurado nos braços  até que adormecesse.

   Ele sentiu o toque dela como se o tivesse queimando através da camisa, a mão pousada gentilmente em seu ombro, fazendo-o arfar. Os dois ainda não haviam se tocado nessa vida, e o primeiro contato sempre o deixava sem ar.

   - Me responda - sussurrou ela - Está indo embora?

   - Sim.

   - Então me leve com você - Disse ela abruptamente. No mesmo momento, ele viu que ela prendia a respiração, desejando se possível o que acabara de dizer. Pudia ver a sucessão de emoções se formando no vinco entre seus olhos: ela se sentiria impetuosa, depois desnorteada, e em seguida envergonhada pela própria ousadia. Ela sempre fazia isso e, muitas vezes antes, ele tinha cometido o erro de conforta-la nesse exato momento.

   - Não - sussurrou, lembrando...sempre lembrando... - Embarco amanhã. Caso se importe ao menos um pouco comigo, não dirá mais uma palavra.

   - Caso eu me importe com você - Repetiu ela, quase como se tivesse falando sozinha. - Eu...Eu amo...

   - Não diga isso.

   - Tenho que dizer. Eu...Eu amo você, tenho quase certeza, e se você for embora...

   - Se for embora, salvarei sua vida - As palavras foram enunciadas lentamente, tentando alcançar a parte dela que talvez se lembrasse. Será que tinha alguma coisa lá, enterrada em algum lugar? - Algumas coisas são mais importantes que o amor. Você não vai entender, mas precisa confiar em mim.

   O olhar dela o atravessou. Ela deu um passo para trás e cruzou os braços. Isso era culpa dele também, sempre despertava o lado desdenhoso da moça quando a tratava assim.

   - Quer dizer que existem coisas mais importantes do que isso? - Ela o desafiou, pegando as mãos dele e levando-as até seu coração.

   Ah, como ele queria ser ela e não saber o que aconteceria a seguir! Ou pelo menos gostaria de ser mais forte do que era e conseguir impede-la. Se não a impedisse, ela nunca aprenderia, e o passado apenas continuaria se repetindo, torturando-os num ciclo sem fim.

   O calor familiar da pela dela em suas mãos fez com que ele pendesse a cabeça para trás e gemesse. Estava tentando ignorar a proximidade entre os dois, como ele conhecia bem o toque dos lábios dela nos seus, como era amargo saber que tudo isso tinha que acabar. Mas seus dedos se tocavam tão de leve. Ele podia sentir seu coração acelerado através do vestido de algodão fino.

   Ela estava certa. Não havia nada mais importante do que isso. Nunca houve. Ele estava prestes a ceder e toma-la nos braços quando viu a expressão em seus olhos. Como se tivesse visto um fantasma.

   Foi ela quem se afastou com uma das mãos sobre a testa.

   - Estou tendo uma sensação estranha - sussurrou

   Não...já seria tarde demais?

   Os olhos dela se estreitaram até a expressão retratada no esboço e ela voltou a se aproximar novamente, as mãos sobre o peito, a boca aberta de expectativa.

   - Diga-me que enlouqueci, mas juro que já estive exatamente aqui antes...

   Então era tarde demais. Ele ergueu os olhos, trêmulo, e pôde sentir a escuridão caindo sobre os dois. Ele aproveitou aquela última chance de segurá-la, de abraça-la o mais forte que podia, como havia ansiado durante semanas.

   Assim que os lábios dele se fundiram com os dela, não havia mais poder algum em suas mãos. O gosto de madressilva de sua boca o deixava tonto. Quanto mais próxima ela ficava, mais seu estomago se retorcia com a excitação e a agonia de tudo aquilo. Sua língua tocava a dele, e o fogo entre os dois ardia mais forte, mais quente, mais poderoso a cada toque, cada nova descoberta. E, ainda assim, nada disso era novidade.

   O lugar tremeu. Uma aura em volta do casal começou a brilhar.

   Ela não notou nada. Não estava ciente de nada, não entendia nada além daquele beijo.

   Só ele sabia o que estava prestes a acontecer, quão sombria era a companhia que se preparava para se juntar àquele reencontro. Mesmo incapaz de, mais uma vez, alterar o curso de suas vidas, ele sabia.

   As sombrar rodopiavam diretamente acima dos dois. Tão perto que ele podia tê-las tocado. Tão perto que o fez considerar se ela podia ouvir o que estava sussurrando. Ele observou enquanto seu rosto de obscurecia. Por um momento, viu um brilho de reconhecimento crescendo nos olhos dela.

   E então não havia mais nada, absolutamente nada. 

Lembrete

Lembrando que essa fanfic é apenas a hitória do romance Fallen. Escrita primeiramente por Lauren Kate adaptada por mim Ana Gabriela Medeiros.

Capa original:

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Personagens

Katherine Dermontt: Com dezessete anos, Kath foi enviada para o Reformatory Louise, um colégio interno para adolescentes problemáticos, como o resultado de uma tragédia misteriosa. Ela foi diagnosticada como tendo pequenos episódios de esquizofrenia paranóide: ela vê coisas nas sombras, tem sonhos ruins, muitas vezes não se sente como ela, de fato, como se ela fosse enjaulada em seu próprio corpo.

Zayn Malik: Estranho, misterioso, grosso e ao mesmo tempo delicado. Parece ter dezessete anos. Ele tem uma beleza angelical que iria parar a maioria das mulheres na rua, embora o corpo do estudante no Reformatory Louise parece alheio a ele. Zayn foi preso enquanto vivia nas ruas de Londres, e logo fora enviado para o Reformatory Louise. No início de sua relação com Kath, se mostra rude e ríspido, embora ele guarde um segredo que seria capaz de mata-la.

Liam Payne: Liam é um cara de dezoito anos de idade. Ele tem sua intensidade casual que seria intimidante se ele não fosse também a pessoa mais esperta na escola, e, na superfície, um "cara legal". Ele está trabalhando duro para seduzir Kath. Mas ela deve se apaixonar por ele? Ela tenta, mas não consegue tirar Zayn da cabeça.

Isabelle Alter: Dezessete anos de idade, Isa tem cicatrizes misteriosas ai longo de um lado do rosto e pescoço. Ela é intensa, fiel, e dada a explosões de violência, a tal ponto que ela é temida até mesmo pelos professores no Reformatory Louise. Fica amiga de Kath, assim que chega ao Reformatory Louise.

Carly Lockwood: Filha do ex-faxineiro da Reformatory Louise, ela só continua naquela escola devido seu pai estar enterrado nela. Vira amiga rapidamente de Kath, sendo uma das primeiras pessoas que é realmente legal com ela e ajuda Kath descobrir cada vez mais sobre o misterioso Zayn.

Gabrielle Givens: Aparentemente, uma estudante qualquer do Reformatory Louise, mas para início deixa uma impressão de "patricinha" em Kath, porém há várias coisas a se descobrir sobre ela.

Daisy Smith: Tem dezessete anos de idade. Não gosta de Kath e faz de tudo para transformar a vida dela em um inferno.

Harry Styles: Dezessete anos de idade, amigo de Zayn, é um garoto na dele, mas que todos dizem ser o contrabandeador do Reformatory Louise.


OBS: Entrarão personagens novos ao decorrer da história.